Pelo menos 5% dos chamados recebidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) são trotes. O Serviço, que recebe em média 4.000 telefonemas por mês, registrou 196 trotes no mês de agosto. O serviço também é prejudicado por um elevado volume dos chamados enganos. Em agosto, a incidência de enganos foi de 6% do total de ligações recebidas.
“Isso cria uma dificuldade no atendimento, pois enquanto as linhas ficam ocupadas com ligações desnecessárias, alguém que está realmente precisando solicitar uma ambulância não consegue, e quanto mais ela demora para acionar o 192, mais tempo o paciente ficará sem atendimento”, afirma enfermeira Sônia Azarito Silva, coordenadora da Unidade de Urgências e Emergências da Secretaria Municipal da Saúde.
Segundo Sônica,
o Samu permitiu
reduzir o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as seqüelas decorrentes da falta de socorro precoce. O serviço funciona 24 horas por dia com equipes de profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e socorristas que atendem às urgências e emergências. O atendimento é realizado em vias públicas, locais de trabalho e residências.
Dois entre três chamados são para casos de emergência clínica, como insuficiência respiratória, desmaio, infarto, hipertensão e derrame. Segundo o Ministério da Saúde, o Samu é o principal componente da Política Nacional de Atenção às Urgências. O serviço é realizado em parceria com estados e municípios: enquanto o Ministério da Saúde fornece o pessoal e o equipamento, as prefeituras e governos de estados se responsabilizam pela gestão
do sistema.
Sônia Azarito Silva
destaca a importância de a população saber usar este serviço de urgência. “Quando o solicitante ligar no 192, deve explicar o que está acontecendo com o paciente, para que o médico regulador possa definir qual tipo de ambulância enviar ao socorro, além disso deve dar o endereço correto e um ponto de referência, para facilitar a localização da ocorrência", explica a coordenadora.
Para ela, também é fundamental para não comprometer o atendimento a utilização correta do serviço, ou seja, o acionamento do Samu preferencialmente em casos de urgência e emergência. Dos 4.047 telefonemas recebidos em agosto, 47 foram de caráter social e 15 para transporte.
Em Araraquara o serviço de atendimento pré-hospitalar começou a ser organizado em agosto de 2006, sendo a quinta cidade do interior de São Paulo. A Unidade recebeu o nome de Central de Ambulância, iniciando suas atividades juntamente com o Resgate-193, durante um ano, mas por necessidade de acomodação dos servidores, os serviços 192 e 193 foram separados. Nesta época, o serviço já contava com três ambulâncias, sendo uma de suporte avançado e duas de suporte básico.
A coordenadora ressalta que a maior preocupação dos solicitantes está relacionada com o tempo em que eles demoram a informar dados do paciente, exigência da regulação do Samu pelo Ministério da Saúde. “No entanto, essa preocupação se deve à falta de informações sobre o procedimento do serviço”, afirma Sônia. Ela esclarece que assim que a informação sobre o tipo de ocorrência é recebida, se for caso grave, como infarto, por exemplo, a ambulância é deslocada imediatamente. “Enquanto a ambulância se desloca, a Central de Regulação anotado todos os dados sobre o paciente e os retransmite à equipe via rádio, assim, a equipe já chega ao local preparada para prestar os primeiros socorros”, diz.
O Atendimento Móvel de Urgência é um serviço oferecido pelo governo federal brasileiro, tendo como principais objetivos os atendimentos de urgência e emergência pré-hospitalar à população. Para acioná-lo basta ligar de qualquer telefone para o
Entre as décadas de 80 e 90, outras cidades também implantaram o Samu, como Porto Alegre, Fortaleza, Recife e Curitiba, cada uma com seu próprio sistema de funcionamento. Em 2003, o Ministério da Saúde nacionalizou o programa, ganhando a adesão desses municípios e ampliando os serviços de atendimento móvel de urgência para outras localidades.
Hoje, são 77 centrais do Samu funcionando em mais de 330 municípios de 22 estados brasileiros, já que algumas centrais abrangem mais de uma cidade. Segundo o balanço mais atualizado divulgado pelo Ministério da Saúde, o Samu realizou 206.082 atendimentos só em julho deste ano, 66.620 somente no Estado de São Paulo, onde ocorreu o maior número de atendimentos.
As chamadas para o Samu
1
77% (3101chamados) foram para atendimento;
2
6% (262 chamados)foram por engano;
3
5% (196 chamados) foram ligações solicitando transferência de pacientes;
4
5% (189 chamados) foram trotes;
5
2% (96 chamados) foram orientações;
6
2% (71 chamados) foram orientações médicas;
7
1% (50 chamados) tiveram queda de ligação;
8
1% (47 chamados) foram de caráter social;
9
1% (18 chamados) foram por desistência;
10
1% (15 chamados) foram para transporte;
11
1% (2 chamados) foram de caráter particular.