As feiras de caráter regional, estadual ou nacional ainda são o passaporte de entrada no mercado para muitas micro e pequenas empresas brasileiras. Por esse motivo, o Sebrae relança, este mês, o estudo Mercado Brasileiro de Feiras 2007, publicado originalmente em 2005. O objetivo do trabalho é atualizar o estudo de feiras e eventos e selecionar as melhores alternativas para a participação dos pequenos negócios no cenário comercial.
Com base nos dados referentes ao ano de 2006, o levantamento identificou a existência de 1.829 feiras no território nacional, distribuídas em 99 segmentos de atuação. Em meio a este universo, o Sebrae selecionou, a partir dos 16 segmentos com maior número de projetos apoiados pela Instituição, as 721 feiras mais relevantes, que representam 40% do total das realizadas no País. Entre os segmentos, estão apicultura, artesanato, mármore e granito, petróleo e gás e tecnologia da informação.
Dividido em etapas, o estudo apresenta o panorama do mercado brasileiro de feiras, as tendências dos principais centros nacionais e internacionais, os segmentos mais atingidos pelos eventos de maior projeção, dados estatísticos e de participação. O material também traz a opinião dos profissionais envolvidos, organizadores e expositores.
De acordo com a pesquisa, mais de 60% dos empresários entrevistados concordam que as feiras são os lugares ideais para divulgar produtos e serviços, reforçar a visibilidade da empresa, melhorar a sua competitividade e prospectar negócios futuros. Além disso, os eventos permitem, ao mesmo tempo e no mesmo local, que as empresas se projetem para o mercado internacional, troquem experiências e informações sobre tendências e demandas do setor.
Os expositores ouvidos também acreditam que a participação nos eventos proporciona ganho de conhecimento, oportunidade de fazer novos contatos, e crescimento futuro. Segundo os entrevistados, mesmo sem retorno imediato do investimento realizado, expor em feiras é compensador para o empreendimento.
Para os organizadores das feiras, a grande maioria das micro e pequenas empresas participantes possui bom material de divulgação, equipe e estandes preparados, e é capacitada a fechar bons negócios durante os eventos.
Em relação ao perfil traçado das feiras brasileiras, o estudo revelou que cerca de 85% delas têm micro e pequenas empresas dentre seus expositores. Mais da metade dos eventos promove rodadas de negócios, que geram valor médio de R$ 240 mil por feira. Muitas delas têm procurado diversificar os formatos, agregando seminários, workshops, palestras e outras formas de interação entre as partes da cadeia produtiva.
"A idéia é de que as feiras sejam um local de convergência de produtos e serviços,
um pólo lançador de tendências, um recurso facilitador e propulsor de negócios. O
pensamento geral é o de ofertar um pacote de soluções e não somente produtos ou serviços isolados", explicou a coordenadora do estudo, Patrícia Mayana.
Cenário internacional
A movimentação percebida no setor internacional de feiras é direcionadora e indica agregação de valores aos eventos em cada segmento. Segundo a pesquisa, um exemplo claro desta tendência é o mercado de aqüicultura, que está englobando, além de frutos do mar, equipamentos, embalagens e maquinários para inspeção de preço, código de barras, logística e movimentação de cargas.
Uma grande demanda do mercado internacional de feiras é a disponibilidade de financiamento e linhas de crédito internacionais, que compensem diferenças cambiais, alfandegárias e subsidiárias, indispensáveis para que empresários possam adquirir tecnologias de ponta para ampliação e modernização dos seus negócios.
Alguns países apresentaram uma quantidade significativa de feiras em segmentos
específicos, com destaque para Itália, China e Emirados Árabes, em mármores e granitos, os Estados Unidos e Japão, em tecnologia da informação, e o continente europeu, no segmento de turismo.
Tendências
De modo geral, as tendências para o mercado de feiras são a regionalização dos eventos, a especialização e a realização itinerante. O estudo determinou a existência de um processo de migração no setor de feiras, que tende ao esgotamento de grandes feiras nacionais e até internacionais em alguns setores, além da transformação dessas feiras em eventos itinerantes. Este fenômeno, em alguns casos, implica na realização de eventos que, de nacionais e com sede fixa, passaram a apresentar várias edições regionais.
A pesquisa foi realizada pela Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae, juntamente com a empresa de consultoria externa M. Stortti Business Consulting Group. A íntegra do estudo Mercado Brasileiro de Feiras 2007 está disponível no portal www.sebrae.com.br.