A Secretaria da Saúde de Sorocaba, por meio da Vigilância Epidemiológica, inicia nesta terça-feira (16) um bloqueio vacinal contra a caxumba para 1.400 estudantes e funcionários de um dos blocos da Universidade de Sorocaba. A medida é necessária devido ao registro de quatro casos da doença na unidade. O bloqueio vacinal será realizado até quinta-feira, dia 18, nos períodos da manhã e da noite.
Desde o início do ano foram confirmados 31 casos de caxumba em Sorocaba e 54 suspeitos aguardam resultado. No mesmo período, 130 casos suspeitos foram descartados e a Vigilância Epidemiológica realizou 30 bloqueios vacinais em 13 escolas e faculdades e 17 salas de aula.
Cerca de 1.300 vacinas foram aplicadas pela própria Vigilância Epidemiológica nessas unidades de ensino, dependendo da indicação, e outros cerca de três mil estudantes foram orientados a procurar o Centro de Saúde mais próximo de casa para se imunizar.
O secretario da Saúde salienta que a equipe técnica da VE está monitorando e promovendo todas as intervenções necessárias e recomendadas para o controle de casos de caxumba na cidade. A VE destaca que o surto está atingindo predominantemente o público adulto jovem e os casos estão espalhados, não havendo uma concentração em bairros ou regiões específicas.
Nos bloqueios, são vacinados estudantes e funcionários que não tenham recebido anteriormente as doses da vacina tríplice viral (que protege contra Caxumba, Rubéola e Sarampo) e, portanto, são considerados suscetíveis à doença.
A diretora da Saúde Coletiva de Sorocaba informa ainda que a VE desencadeia as ações de controle a partir da notificação da suspeita (antes mesmo da confirmação do diagnóstico). No caso da Universidade de Sorocaba, os quatro casos foram registrados na primeira semana de outubro, mas devido à suspensão das aulas na semana passada (em razão do feriado do dia 12), o bloqueio vacinal foi transferido para esta semana.
A caxumba
A parotidite infecciosa - popularmente conhecida como caxumba - é uma doença viral, cuja transmissão ocorre através das vias aéreas (respiratórias). A manifestação clínica se destaca pelo aumento das glândulas salivares, principalmente a parótida (localizada no pescoço), acompanhada de febre e dor local. A incubação do vírus pode variar de 12 a 25 dias, sendo que a média é entre 16 e 18 dias. A transmissão varia entre 6 e 7 dias antes das manifestações clínicas, até 9 dias após o início dos sintomas.
Ao apresentar os sintomas citados o paciente deve procurar uma unidade de saúde. A auto-medicação não é indicada, pois pode mascarar os sintomas e retardar o diagnóstico. O tratamento indicado é sintomático, mas deve ser recomendado pelo médico, com indicação de repouso e observação da evolução do quadro.
A confirmação do caso é feita com duas amostras sorológicas, colhidas na fase aguda (quando o caso suspeito é notificado) e quinze dias após, analisadas em conjunto, pelo Instituto Adolfo Lutz, laboratório da Secretaria de Estado da Saúde.
Além do exame laboratorial, o vínculo epidemiológico, ou seja, a relação do caso suspeito com outros casos registrados, também pode ser considerado para a confirmação de casos de caxumba. Eliana acentua ainda que é importante o controle da caxumba, por ser uma doença que pode ter complicações.
Entre elas, a diretora da Saúde Coletiva cita meningite, meningoencefalite, pancreatite, dentre outras que podem afetar a possibilidade de gerar filhos, principalmente em homens quando a patologia é adquirida na puberdade.
A vacina tríplice viral faz parte do calendário nacional de vacinação desde 1992, indicada para crianças aos doze meses de vida. Em 2004, foi instituída uma dose de reforço entre 4 e 6 anos. A diretora da Saúde Coletiva informa que acima desta faixa etária, uma única dose é indicada para a imunização, como é feito nos bloqueios realizados para o controle de casos suspeitos.